Vá e Seja Você – A decisão

“Como você teve coragem? Quanto dinheiro juntou?  Como se planejou? Como foi tomar a decisão? Ahn mas sua situação é mais fácil..”

Essas são muitas perguntas que escuto, as quais as mesmas eu fazia antes de estar aqui do outro lado. Eu ouvi muitas respostas e hoje vou dar o meu ponto de vista e contar um pouquinho como foi o gatilho e tomei a decisão.

IMG_20170812_144502434

Abril de 2017

Voltei das minhas férias de 30 dias pela Ásia e minha percepção era: “Estou feliz de estar voltando, eu estava mesmo era precisando de férias, estou reenergizada! Amo meu trabalho, minha casa e quero continuar aqui. Não preciso de um sabático mais. Só preciso encontrar o equilíbrio entre minha vida pessoal e trabalho.”

3 semanas depois… lá estava eu novamente, irritada, estressada, trabalhando 14h por dia, bebendo todas após o trabalho e me afundando novamente em reclamações. Eu cheguei a ouvir de amigos “Calma! Você precisa de férias”. O que? Eu tinha acabado de voltar de um mês na Tailândia e Indonésia, aquilo não estava certo. Pedi para a minha coaching* que precisava de mais sessões e após meu atendimento saí de lá aos prantos direto para o que eu mais temia: TERAPIA.

*Resolvi fazer coaching pois queria uma solução rápida e um plano de ação, só que o meu problema era que eu não assumia para mim mesma o que eu realmente queria, no fundo eu não sabia. As minhas 10 sessões já tinham terminado e eu resolvi continuar.  De qualquer maneira as ferramentas e o autoconhecimento estava me ajudando muito lidar com minhas qualidades e fraquezas.

Peguei contato de uma psicóloga que uma amiga/cliente falou muito bem e no mesmo dia fui para conhecê-la. Era no outro lado de São Paulo, eu trabalhava e morava na Zona Sul e a psicóloga era na pompéia. E quando a conheci foi amor a primeira sessão. Iniciei na semana seguinte e foi ali que tudo começou. A Simone não só me ajudou a estar onde estou hoje, mas também a me planejar, enxergar os meus medos, ter paciência, me indicou vários livros, filmes e fez um trabalho sensacional. Eu cheguei em Abril dizendo que ia sair do meu trabalho na semana seguinte, estava chorando e desesperada. Eu estava fazendo tudo errado. Muitas vezes até agia mal  no trabalho pois achava que se criasse um motivo para sair seria mais fácil tomar a decisão de “largar tudo e viajar”. Precisava de um empurrão, um motivo. Ela me perguntou se eu aguentava até o final do ano e eu disse que NÃO!! Eu estava descontrolada. Eu queria sair mas não sabia o que fazer, pra onde ir, eu estava exausta e era comigo mesma. Fui diagnosticada com início de depressão, e hoje depois de estudar e analisar como estava foi o tal do burnout. [Recomendo fortemente o podcast do Mamilos sobre esse assunto]

As sessões e meses foram passando, fui me acalmando, entendendo como funcionava pois aquilo era novo para mim. A questão de sair do emprego saiu de cena e quando eu resolvi me abrir e aceitar aquele tratamento, eu percebi que tinham muitos problemas comigo mesma e que eu precisava entender e resolver: influencias familiares, imposições da sociedade, pré-conceitos que eu mesma tinha comigo mesma. Listei abaixo alguns hilights que ajudaram a chegar na conclusão e foram importantes quando chegou a hora da decisão.

IMG_20180309_001545_884.jpg

Pushkar – Índia

SONHO OU FUGA?

Depois de várias sessões a Simone viu que o ‘querer viajar‘ no meu caso era uma questão de SOBREVIVENCIA e se eu não o realizasse em algum momento na minha vida isso mexeria demais com minha satisfação pessoal. Fizemos várias dinâmicas e o mais forte foi imaginando eu velhinha em casa e olhando os porta-retratos o que eu queria ter ali para contar a minha história, e chegou um momento em que haviam duas situações: uma a qual eu tinha vivenciado a experiência de viajar durante um período da minha vida e outra não, essa última eu cai mais uma vez aos prantos. Eu já me culpava naquele momento de não ter ido antes imagina como eu fiquei vendo que tanto tempo passou e eu não tive A CORAGEM DE VIVER ESSE SONHO? Foi muito triste visualizar isso mas ao mesmo tempo reconfortante em ver que não se tratava de uma fuga (as quais já tive várias na minha vida amorososa, familiar e profissional, e ela teve todo o cuidado em entender se não se tratava de mais uma).

EVOLUÇÃO AMOROSA, FINANCEIRA E PROFISSIONAL

Eu estava deixando minha vida amorosa de lado por causa de pensar que um dia eu queria viajar. Meu último relacionamento longo foi há 10 anos, e desde então eu sempre que me via envolvida eu fugia, pois pensava que aquela situação poderia me atrapalhar de viajar. Eu sei é loucura e fazia isso inconscientemente, e nunca tinha percebido isso. Mais um ponto pra Simone 🙂

Cheguei num momento no meu trabalho o qual eu estava acomodada profissionalmente, e isso não só me impedia de crescer dentro da empresa, como buscar uma evolução de carreira o que acaba refletindo no financeiro. Eu sabia que precisava me mover, e tinha duas opções: 1) crescer dentro da empresa que eu estava ou 2) mudar de empresa. Eu percebi que não era a empresa e sim o que a minha função que não estava me preenchendo mais. Independente do que escolhesse,  os problemas continuariam os mesmos e nesse momento eu me dei conta que eu precisava era um resignificado na minha vida: trabalho, hobbies (beber cerveja e viajar era o que fazia quando não estava trabalhando), minha saúde, minha vida amorosa, meu futuro.

Ok! Solução identificada, preciso mudar. Viajar é um sonho e agora? Vou abandonar 10 anos de carreira? E se eu me arrepender? Vou fazer o quê? Como vou dar a notícia para meu chefe, cliente.. nossa e meus pais??? Será que tenho dinheiro sufiente? Quanto eu preciso? Vou para onde?

Enquanto minha terapia rolava, o meu dia a dia no trabalho foi melhorando: já estava mais tranquila, agia com mais assertividade, houveram mudanças que me ajudaram a ter certeza eu era a pecinha do quebra-cabeça que não estava mais encaixando ali.

Não foi combinado ou esperado, mas o momento certo simplismente apareceu. Início de outubro, depois de um e-mail que recebi,  vi que ali não era meu lugar, eu realmente não queria mais, não era justo comigo, nem com a empresa e meus clientes. Me senti preparada, respirei fundo, vi que era a decisão certa a ser tomada. Chamei meu chefe para uma conversa e pedi demissão. Foi uma conversa tranquila, madura, racional, lógico que eu chorei (mas não era um choro de fraqueza, e sim de libertação), não tinha o que fazer, eu vi que mesmo que mudasse para outra empresa eu teria as mesmas angústias e eu precisava de um tempo para mim, para entender o que eu realmente queria e se fosse para eu voltar atuar na mesma função tudo bem, mas pelo menos eu tentei e vivi um sonho.

Fiquei na empresa até dezembro, tomei o cuidado de documentar e passar tudo o que eu tinha de informação para a pessoa que iria me substituir. O carinho pelo meu time, clientes e agência só aumentaram. Tive muito apoio e ouvi de muitas pessoas que tinham o mesmo sonho mas não tinham coragem. Eu também não tinha antes mas estava ali, saindo da minha zona de conforto em busca de nem sabia o que, mas minha intuição falava que era a decisão certa a ser tomada.

Eu queria iniciar minha viagem em Dezembro, para começar o ano novo em um lugar novo. Porém os acontecimentos mudaram o pouco dos planos que eu tinha.

201802_nepal_kathmandu85.JPG

Nepal – Kathmandu

No meio de todos os acontecimentos e impactos relacionados a decisão, conheci um boy (lembra que eu disse que meu último relacionamento sério tinha sido há 10 anos? e bem quando eu tomei a decisão apareceu um cara bacana), vivi uma paixão de alguns meses (o que atrasou minha viagem por um bom motivo :)). Econtrei ao acaso, uma amiga que fiz num curso de meditação em 2016, ela estava passando por um momento parecido com o meu porém num quadro mais avançado pois estava afastada do trabalho por depressão, ela também tinha o sonho de ir para a Índia e resolvemos iniciar a viagem juntas. Descobri uma hérnea de disco, o tive que me dedicar nos meses pré viagem em fisioterapia, aculputura e massagens, e além disso tive que trocar meu mochilão por minha mala de rodinha.

Vendi meu carro, fiz bazar, apliquei parte do dinheiro, me planejei para ter a visão de quanto eu queria gastar e ter uma reserva para quando eu voltasse, pois eu não gostaria de pedir dinheiro para meus pais e nem depender de ninguém até conseguir um emprego. O que iria acontecer? não tinha ideia.. (ainda não tenho), mas a empolgação de me prepar para viver um sonho já me deixava feliz.

Do momento de tomada de decisão até entrar no avião, a frase que mais ouvi dos meus amigos e familiares foi: “como você é corajosa” e só eu sabia o medo que eu tinha de tudo aquelas incertezas que vieram comigo na mala.

Muitos pensam (me incluo, só que na minha visão ANTES de iniciar a viagem) que o maior fator de decisão é a grana, mas não é. O maior inimigo na hora de tomar a decisão é a incerteza. Os “se’s” que a gente cria na mente e com isso os nossos sonhos vão ficando para trás, o tempo vai passando e vivemos num mundo de desejos sem realizações. E agora vivendo esse sonho posso dizer que é legal para caralho! 

Eu aprendi que primeiro ponto é preciso entender o por que e se não se trata de uma fuga (do seu trabalho, relacionamento, ou qualquer outra situação). Hoje em dia, vejo que viajar virou um novo modo de consumismo e muitas pessoas viajam mais para entrar numa competição de likes e seguidores do que realmente vivenciar a viagem em si. Além disso tem o fato de que viajar de férias e é completamente diferente de uma viagem a longo prazo. Se você pensa que viajar irá resolver todos seus problemas, que irá encontrar o seu propósito e será como viver de férias todos os dias, sinto lhe informar, mas não é esse conto de fadas como as redes sociais mostram. Tem muitos momontos mágicos é claro, mas se você não está bem psicologicamente pode ser que piore a situação, pois os problemas vem com a gente na mala e tereremos que lidar com eles num outro país e muitas vezes sem o apoio de pessoas que amamos por perto.

Não sei ainda onde isso vai dar, mas sei que está sendo o melhor ano da minha vida. Quando paro e penso cada lugar que já fui, cada pessoa e história que conheci e o quanto isso está contribuindo para eu me tornar uma pessoa melhor e tomar melhores decisões no futuro, é muito gratificante.

Vou finalizar esse texto com duas frases que tem sido meus mantras por conta dos aprendizados que tive até então:

“Ainda é cedo para ser tarde demais”

“O Dinheiro volta, o tempo não!”

(*Não conheço os autores , mas assim que descobrir atualizarei com os devidos créditos)

Para que esperar uma tragédia acontecer para então realizar os nossos sonhos? Muitas vezes é preciso se jogar e confiar. Mesmo que as coisas não saiam como planejado pelo menos você tentou e com certeza terá muita história para contar 😉

IMG-20171218-WA0016 (1).jpg

Salto de paraquedas – Boituva

Agora vamos para o planejamento!

Share:

Deixe uma resposta


À Procura de Algo?