Momentos difíceis e de aprendizados de um sabático

Esse é um texto/desabafo que escrevi após um momento deprimido que tive durante minha viagem, em junho de 2018. Resolvi compartilhar aqui para ter de recordação e também para mostrar que nem tudo são flores. Hoje lendo eu vejo o quão esse momento me ensinou a ser uma pessoa mais aberta a aceitar os momentos difíceis, a pedir ajuda, a ver as situações em outras perspectivas e a me mover.

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Ayuttaya – Tailândia (abr/2018)


12 de Junho de 2018 – Langkawi – Malásia

Período sabático é período sabático, não é para trabalhar ok?

Todas as vezes que parei aqui para expressar/ compartilhar o que estava vivenciando, sempre me referi como uma ‘pausa na minha viagem’ pois estava ‘precisando descansar’, e via essas pausas como momentos de relaxamento, porém o que eu percebi é que todas as vezes que eu pensava que estava fazendo uma pausa, eu estava ali pesquisando, conversando e criando algo para me preocupar:

1. Bangkok [6 dias]: quando cheguei em Bangkok me senti em casa, uma pelo fato de já ter ido e outra pela cultura, comida e é claro as massagens de todos os dias. Resolvi parar, porém essa pausa eu fiquei estudando inglês, lendo livros e tentando planejar meus próximos destinos.

2. Ayuttaya [6 dias]– fui parar numa cidadezinha do interior da Tailândia onde resolvi fugir da loucura da cidade grande e tentar me conectar e descansar, porém percebi que precisava fazer algo para me sentir útil e procurei um voluntariado.

 

Ayuttaya

3. Chiang Mai  [1 mes e meio]: Fiz uma semana de voluntariado no meio da floresta e foi sensacional, aprendi demais e daí queria continuar com a vibe de ter aprendizados com a viagem e não simplesmente ficar indo a pontos turísticos.  A ideia era seguir viagem pelos países da Ásia, porém mais uma vez, com ilusão de que queria parar em um lugar e “descansar” me vi num curso de duas semanas de massagem tailandesa (um dos hilhigjts do meu sabático até agora s2).

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Voluntariado Chiang Mai – Spicy Villa (abr/2018)

Curso Massagem Tailandesa

Curso Massagem Tailandesa – ITM (mai/2018)

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Voluntariado Chiang Mai – Spicy Villa (abr/2018)

 

4. Koh Phangan[2 dias]: Precisava de PRAIA, como era período de monções em Phi Phi, e por já ter conhecido a ilha no ano passado, resolvi explorar o lado do sul e por ser conhecido como uma área espiritual, era o local perfeito para poder mais uma vez.. DESCANSAR.

Porém quando cheguei em Koh Phangan, não foi isso que aconteceu. Não sei se foi a ilha em si ou se o momento que eu estava vivendo na minha viagem mas foi ali que tive minha primeira crise de ansiedade no sabático. Não quis ficar, chorei, me questionei porque ter abandonado meu trabalho e amigos para estar ali sozinha… queria entender o motivo, queria encontrar uma razão para a viagem e o pior, briguei comigo mesma por não ter ido para vários lugares (poxa, to aqui perto da Philippinas, tem China, Japão, voltar para Indonésia? Mas também tem Myanmar, voltar pra Índia? Desencanar da Ásia e ir para Europa? Procurar trabalho na Austrália? ), e vi que estava deixando de lado tudo o que eu já tinha aprendido e vivenciado nesses meses, pois é me vi no tal do FOMO (Fear of missing out), medo de perder algo a tal da ansiedade.

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Koh Phangan (mai/2018)

Aprendi muito com as pessoas que cruzaram meu caminho e foram esses momentos que mais tive trocas e questionamentos durante a viagem. Não vou ser hipócrita em dizer que Taj Mahal,  Maldivas, ou o puja no Nepal não contribuíram nos meus momentos felizes, mas precisamos tomar muito cuidado com o que criamos de expectativa para esse período sabático pois é uma vida completamente diferente de quem estava há 10 anos num escritório.  Os problemas são outros e só iremos descobrir passando por essa experiência. Minha ideia era listar aqui tudo o que gostaria de compartilhar nos meus aprendizados mas uma blogueira que eu sigo o fez tão bem que resumiu exatamente o que eu senti e não poderia me expressar melhor, é tudo o que ela colocou no texto e quem quiser saber do que ninguem te conta sobre um período sabático, só clicar no link.

Cada dia vivido é uma renúncia e isso mexe muito com a gente. Não me entendam mal… Não estou reclamando (que problema bom que tenho que resolver né?) mas essas decisões de todos os dias são desgastante, pois é só você para vibrar cada conquista e para culpar por uma decisão que não deu certo.

Compartilho aqui meus aprendizados e mudanças de paradigmas que tive até agora:

  1. Sobre ter rotina

Cheguei a terminar um relacionamento e até mesmo brigar várias vezes por dizer que “odeio rotina”, e que gosto de fazer coisas diferentes sempre que posso.

Depois de 4 meses sem ter rotina eu percebi que não somente para o corpo mas para a mente, é extremamente importante ter uma rotina saudável e o fato de não ter horário, atividade e deveres percebia que meu tempo ia embora e não estava fazenod nada de útil. Comecei a identificar que eram os hábitos que tinha dentro da minha rotina que não me agradava e atrelava isso ao fato de ter rotina. E com isso eu comecei a criar a rotina que sempre quis dentro da minha viagem 🙂 Sendo assim amiguinhos eu assumo que GOSTO DE ROTINA SIM e quando voltar quero criar uma que me faça bem. 

 

  1. Trabalhar viajando

Esse sempre foi meu sonho ! Todas as pessoas que cruzei e que eram influencers, fotógrafos, escritores etc… e que tinham essa vida de nômade digital me encantava. Quem não queria trabalhar de frente para o mar na tailândia e ainda ganhar dinheiro? Com isso comecei uma busca neurótica por encontrar algo para me encaixar. Entrei em sites de freelas, cursos de fotografia/vídeos, investi num tripé e queria comprar o osmo para fazer os filmes legais, etc.. mas de repente percebi que não.

Não sou nômade digital, estou num sabático e juntei dinheiro para gastar agora e é isso!

Quero ter um cantinho para chamar de meu, com minha decoração, chamar e hospedar meus amigos que conheci nesse mundão e compartilhar momentos delicinha. Quero continuar viajando para aproveitar e não trabalhar viajando.

 

  1. Pontos turísticos e carimbos no passaporte

Quem não quer completar o mapa de viagens ou acabar com um passaporte por falta de carimbos? Todo mundo né? Afinal viajar é uma delícia.

Porém nesse ano viajando, percebi que não são os pontos turísticos que me fascinam e sim as pessoas, as experiências e os melhores momentos da minha viagem (até então) foram quando não tinha muita informação sobre a cidade/país ou atração, quando interagia com a cultura através dos locais (café da tarde numa casa indiana, casamento indiano, curso de massagem tailandesa na tailândia, festejar com os amigos de cada país, morar numa guest house)… etc. Parei para rever o que realmente eu queria levar de experiência deste ano e a partir disso estou revendo meu plano. Os lugares vão continuar lá, eu não preciso conhecer todos agora e eu também posso voltar, mas esse ano que eu tirei para me reconhecer, quais são os temas que eu quero evoluir? Como eu posso encaixar na minha viagem?

 

A minha volta ao mundo virou uma volta para dentro. Poderia estar fazendo isso no Brasil? Sim! Mas não sei se descobriria tudo isso sem ter partido para correr da minha rotina estressante, tentando achar um trabalho que pudesse viajar para poder conhecer todos os lugares do mundo e é claro.. além disso tudo vim em busca do meu sonho que era viajar o mundo.

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Langkawi – Malásia (jun/2018)

Esse ano está sendo surpreendente e só tenho a agradecer. A única certeza que tenho é que a Marcela de hoje não é a mesma Marcela que partiu e não será a mesma quando voltar.

 

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